quinta-feira, 5 de maio de 2011

"A Menina dos fósforos"

Estava tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.

Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando: — Quem compra fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre rapariguinha! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava.

Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.

Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a rapariguinha viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de loiças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e puré de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da rapariguinha. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.

E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direcção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz.

«Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.»
Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!

— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda.
Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.

Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma rapariguinha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… mor ta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos. — Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo.




Hans Christian AndersenOs melhores contos de Andersen

René Samuel Cassin

Nasceu em Baiona, a 5 de Outubro de 1887, e faleceu em  Paris, a 20 de Fevereiro de 1976.


Foi um advogado e professor na Universidade de Paris, até 1960. Como professor promove o Ensino e o Direito pela Europa, África, Médio Oriente e Extremo Oriente, presidindo a diversas organizações.

Foi um jurista francês, premiado com o Nobel da Paz em 1968, presidente do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos entre 1965 e 1968.

René Cassin foi o principal autor da Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada em 1948, na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Aos 81 anos, em 1968, René Cassin recebeu o Nobel da Paz.

UNICEF

O que é?

A Unicef é uma agência das nações unidas que tem como objectivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar respostas às suas necessidades básicas e contribuir  para o seu pleno desenvolvimento.

A Unicef rege-se pela Convenção sobre os Direitos da Criança e trabalha para que esses direitos se convertam em princípios éticos permanentes e em códigos de conduta internacionais para a crianças.

O que faz?
A UNICEF é a única organização mundial que se dedica especificamente às crianças. Em termos genéricos, trabalha com os governos nacionais e organizações locais em programas de desenvolvimento a longo prazo nos sectores da saúde, educação, nutrição, água e saneamento e também em situações de emergência para defender as crianças vítimas de guerras e outras catástrofes. Actualmente, trabalha em 158 países de todo o mundo.


UNESCO

A UNESCO é a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (United Nations Educational, Scientific, and Cultural Organization). Foi criada em 1945, com a adopção do Acto Constitutivo a 16 de Novembro. O seu principal objectivo é o de contribuir para a paz, desenvolvimento humano e segurança no mundo, promovendo o pluralismo, reconhecendo e conservando a diversidade, promovendo a autonomia e a participação na sociedade do conhecimento. Tem sede em Paris e dispõe de escritórios regionais e nacionais em vários países. Tratando-se de uma agência especializada das Nações Unidas, as suas línguas oficiais são o inglês, o francês, o espanhol, o russo, o árabe e o chinês.
Objectivos estratégicos:
Educação
  • Melhorar a qualidade da educação através da diversificação dos seus conteúdos, métodos e a promoção dos valores partilhados universalmente.
Ciência
  • Melhorar a segurança humana mediante uma melhor gestão das mudanças sociais.
Cultura
  • Salvaguardar a diversidade cultural e promover o diálogo entre culturas e civilizações.
Comunicação
  • Promover a expressão do pluralismo e a diversidade cultural nos meios de comunicação e nas redes mundiais de informação.


Liu Xiaobo

Nasceu em Changchun, Jilin, República Popular da China, a 28 de Dezembro de 1955.
É um crítico literário, escritor, professor e activista pelos Direitos Humanos e pelas reformas na República Popular da China.
A 8 de Dezembro de 2008, foi detido em resposta à sua participação na assinatura da Carta 08, sendo formalmente preso a 23 de Junho de 2009 sob suspeita de “incitar à subversão contra o poder do Estado”. Foi acusado pelos mesmos motivos a 23 de Dezembro do mesmo ano e condenado a 11 anos de prisão a 25 de Dezembro.

A 8 de Outubro de 2010, foi-lhe atribuído o Nobel da Paz, sendo justificado pelo Comité Nobel Norueguês “pela sua longa e não-violenta luta pelos Direitos Humanos fundamentais na China”. Por estar preso, Xiaobo não pôde receber o prémio.


Comissão de Protecção de Jovens e Crianças em risco

Aqui definem-se as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) como instituições oficiais não judiciárias com autonomia funcional que visam promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações capazes de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral.
Considera-se que a criança ou jovem está em perigo quando, designadamente, se encontra numa das seguintes situações:
∙ Abandonada ou vive entregue a si própria;
  Maus tratos físicos ou psíquicos ou vítima de abusos sexuais;
  Não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade;
  É obrigada a trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade;
  Está sujeita a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança;
  Assume comportamentos ou actividades de consumos que afectem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento.

Martin Luther King



Nasceu em Atlanta, a 15 de Janeiro de 1929, e faleceu em Memphis, a 4 de Abril de 1968. Foi um pastor protestante e activista político americano.
Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e no mundo, com uma campanha de não-violência e de amor ao próximo.
Martin foi a pessoa mais jovem a receber o Prémio Nobel da Paz em 1964, pouco antes do seu assassinato. O seu discurso mais famoso e lembrado é “Eu tenho um sonho!